28 maio 2007

Enquanto me tento manter, as minhas pernas vão-me traindo e a unica coisa que desejo é esquecer tudo... Droga, bebida? Sim, por favor, algo para esquecer todo este inferno, todo este sofrimento, toda esta dor que atormenta e queima a pouca vida que ainda me resta. Sei que existe sempre um arco-íris mas estou cansada das palavras de consolo de sempre, estou cansada de procurar a luz na escuridão, estou cansada de ouvir que todos os meus projectos e desejos são falhados já à nascença. Já não tenho nem vontade nem coragem de levantar a cabeça. Tudo por que lutei desapareceu num ápice, só agora consigo olhar para trás e posicionar no tempo os sentimentos. Sempre fui literária, sempre li muito, vivi sempre num mundo de alguém que não era meu. Tinha sempre a possibilidade de sentir a minha história como sendo contada por mim. Dói demasiado sentir a realidade, olhar para mim e ver verdadeiramente quem eu sou. As promessas de felicidade e abundância que tanto ouvi são vãs. Ser nós mesmos! A que preço? Perde-se tudo o que temos à nossa volta e o que tudo ouvimos são velhas a dizer que não pode ser assim, que temos de seguir as regras! Regras? Quais regras? As vossas? As regras que cada um faz para se sentir seguro no mundo, que se impõe a si mesmo para ter um caminho delimitado a seguir. Somos cavalos com palas completamente desgovernados e carregados com uma carga 5 vezes superior ao nosso peso. Nunca desejei esse destino para mim mas acabo sempre por lá ir parar. Até que consigo descobrir que na verdade eu sou o unico cavalo que anda assim... Acho que consigo chegar a burro... Já não acredito em arcos-íris sorridentes, já não procuro a luz na escuridão, gostava de me libertar da minha carga mas para isso deixava de ser como toda a gente... passava a isolar-me de todos e deixava os amigos que se estão nas tintas para mim. Infelizmente sigo o meu caminho até um dia ser livre e encontrar-me novamente com os anjos que sempre estão ao meu lado, mas como tenho as palas não os consigo ver...

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