17 junho 2008



O tempo passa e não alivia a dor... a dor apenas se torna diferente... Recomeçar de novo? Recomeçar sem saber para onde ir... Recomeçar sem sequer se saber como agir, como superar a mágoa... Recomeçar sem saber quem nós somos, o que queremos, para onde vamos... Deixamos para trás a alegria e confiança e apenas seguimos em frente, com esperança de um dia... um dia... Um dia encontrarmos um pouco de paz. Um dia encontrarmos um pouco de luz, de confiança, de amizade... Acima de tudo, um dia reencontrarmos a velha confiança. Confiança no mundo... Confiança nos nossos amigos que tudo nos dão, embora não o vejamos pois estamos demasiado tristes. Confiança no universo... Confiança que tudo vai correr bem... Confiança... Mas os nossos sonhos já não são os mesmos... Foram filtrados... apenas ficam as vagas esperanças, as vagas crenças, as vagas vontades... As desilusões do passado já não importam, as meras irritações não passam de meras... As alegrias e conquistas não passam de mais uma alegria e uma conquista... Onde está a felicidade de sentir o sol na cara e o caminho repleto de passarinhos, flores e borboletas? Esfumou-se com o vento... Despedaçado pelo meu tsunami particular... Construir uma casa para quê? Mais cedo ou mais tarde ela vai ser abalada e destruida pelos infindáveis terramotos... E à medida que o tempo passa o olhar vai-se fechando... cada vez mais para dentro, cada vez menos para fora... Os outros já não importam... As palavras já não importam... Os sentimentos já não importam... Que se lixem as suas alegrias! Que expludam com as suas tristezas! Que desapareçam com as suas mágoas! O meu altruismo acabou! Deixei de querer saber de vocês! Já não me interessam nem me importam! Já pararam para ver como eu estou? Estou a sofrer! Importas-te com o meu sofrimento? Apenas olhas para ti e tens medo! Medo porque não sabes como lidar com alguém assim! E o que fazes? Descartas-te! Os outros que estão mais chegados que cuidem de ti... Aliás! Já és grandinha! Trata de ti! E o negro é cada vez mais negro, o escuro é cada vez mais escuro, o frio cada vez mais frio... E não há ninguém que me mostre uma luz... Ou... eu não quero ver alguém com alguma luz, não quero ouvir alguém que me dê uma palavra amiga, não quero sentir as mãos que sempre estiveram estendidas para me ajudar... Apenas quero sair deste buraco onde me enfiei... só não sei como... O mundo já não é igual ao que era antes... Eu já não sou igual ao que era antes... Não sei caminhar... Perdi o treino... Não sei o que esperar do mundo... Não sei quais as árvores e quais os frutos que posso colher... Apenas estou ciente que estou diferente... Apenas estou consciente que já não te tenho a ti para caminhar ao meu lado... e não te consigo sentir... Sinto-me só sem a tua luz, o teu conforto, o teu carinho... Apenas tenho as memórias do que era estar contigo.. apenas sei como era bom ouvir-te a cantar pela casa... apenas me lembro das pequenas coisas que tornavam a minha vida tão cheia... E apesar da dor, do cansaço, da solidão, são essas lembranças que me fazem continuar a seguir o meu caminho. Mal ou bem, continuo a seguir em frente, a lutar como sempre lutei, com mais ou menos medo. Conhecendo melhor ou pior as pedras do caminho... Apenas sigo em frente... E sorrio... O amor que me deste é a arma mais poderosa que eu tenho! E com ela eu sei que vou vencer! E vou sorrir, vitoriosa e gloriosa quando, no final do meu caminho, te puder abraçar.

3 comentários:

Hélio disse...

"Se de noite choras por não veres o Sol, nunca conseguirás ver as estrelas". Confesso que é-me impossível dizer-te que sei o que sentes, como bem sabes. Numa perda terrível como a tua, perder (também) a vontade de apreciar todas as coisas boas da vida. Posso apenas, pelo meu caso, extrapolar imenso aquilo que possas sentir.
Vou dar um caso: este fim-de-semana voltei a tocar numa banda. Parece banal e ridículo mas sabes bem o quanto tocar, fazer música é importante para mim, ainda para mais numa zona e contexto em que fui muito feliz. No entanto, não consegui sentir-me feliz a 100% (nem 70%) porque havia o meu fantasma pessoal a dizer-me ao ouvido "Qdo eu estava presente e andámos por esta zona era muito mais interessante e giro, a vida que levavas era muito melhor." Ficar em paz com essas memórias não foi fácil. Mas usei um pequeno truque: chamei-me à realidade. Eu estava no Agora. Assombrado ou não eu tinha que fazer uma escolha: ou eu gozava em pleno aquilo que estava a viver (colhendo todos os doce frutos que daí advinham) OU continuava a pensar no meu fantasma e passava pelos acontecimentos eu próprio como um fantasma, recolhendo só desilusão e amargura. Escolhi o 1º, óbvio. Não gosto de sofrer e não acredito que estejamos cá para sofrer. E quem me ensinou isto foi "alguém" que também chora mas que cada vez que preciso de uma palavra amiga e de uma mão para me levantar, está lá, tem uma sabedoria e uma Vida que me anima. Eu creio ser impossível que no fundo sejas como te retratas, mas antes, que somente estejas como te retratas. A reconstrução é possível e necessária, por muito banal que te pareça (sobre isto relê o comentário da tua irmã a um outro que eu fiz há um ano, porque o que dizes é muito parecido ao que disse). Mais cedo ou mais tarde, eu SEI que o mar que está dentro de ti, que tu és, há-de derrubar essas paredes de areia que te cercam e ensombram. Queres uma pá? ;)

Luís disse...

Também tenho mitas saudades dela, carinho. Amo-te muito linda.

Anónimo disse...

gosto mto de ti
a minha mão está sempre estendida para ti, e o meu coração aberto para te receber.
a perda é mto sentida mas como disseste, o AMOR fica para sempre... jokinhas maninha :)
ana luisa