
Já é tempo de acordar do sonho. Lentamente abro os olhos e procuro onde estou. Acordei num lindo dia de chuva e nevoeiro, daqueles onde sabe bem ficar em casa a preguiçar... ou mesmo a trabalhar.
Quem sou? Talvez ainda seja cedo para responder à pergunta, afinal, o sonho mudou-me. Olho para a terra de uma forma diferente, olho para as pessoas de uma forma diferente, olho para a vida de uma forma diferente. As ondas vão e vêem, podem remexer a areia mas a terra fica sempre lá. Há sempre um equilibrio entre a terra e o mar. Mesmo a rocha que acaba por ser desfeita pelo mar tem a hipótese de se formar noutro lado. Nem que seja no fundo do oceano... Pode demorar mais ou menos tempo mas tudo muda de lugar.
Não saber quem sou traz muitas consequências indesejáveis. É como ficar em fase de latência. Tudo desaba em cima e tudo é incerto, tudo é inseguro, nada é real. Para trás ficam momentos felizes, pequenas ilhas no meio de um turbilhão de emoções cegas, que nos dão um pouco de alento para continuar. Mas tudo deixa de fazer sentido.
Sinto-me como se estivesse estado numa máquina que nos faz ficar em estado latente. E enquanto me afundava em auto-comiseração o meu forte foi ficando cada vez mais fraco. Todas as teorias de força e luta que eu sempre construi ruiram. Como resultado, acabei numa espiral de destruição, de perda de confiança em mim mesma e na perda do controle.
Estou numa ilha mágica rodeada de um mar mágico também. Vim aqui parar porque desci num arco-íris. A ilha é grande, tem uma cascata lindíssima e está cheia de árvores e de sombras. Por vezes assusto-me com elas, por vezes tenho a lucidez suficiente para não ter medo, são apenas árvores. Encontro-me numa clareira onde no centro se encontra uma fogueira, as chamas já estiveram mais fortes, tenho de deitar mais lume. Um ancião vem ter comigo e oferece-me um embrulho. É uma pequena caixa de cartão enrolada em papel pardo e atada com uma corda. Ao desembrulhar deparo-me com uma linda bola de cristal, feita com um cristal puro e limpido. Nela vejo várias passagens da minha vida. E essas imagens fazem-me ficar ainda mais confusa e angustiada. Estou presa entre o que fui o que sou e o que quero ser. Persigo os meus sonhos passados, luto por sobreviver no presente mas nunca ligo ao que eu sou. Entro em cnflito permanente, não sei o que fazer, não sei como lidar. Desistir? Não, essa não é a opção, já foi, já não é mais. Adormeço, angustiada... E acordo do meu sonho.
Sei quem sou, mas não o quero ser. Sei que não há lugar para mim neste mundo.
2 comentários:
Quem bom voltar a ler as tuas mensagens!
Eu consigoi identificar-me plenamente com as tuas palavras. Também eu me sinto completamente perdido neste planeta. Resta-nos lutar pelo que queremos e com um pouco de luz vamos conseguir!
Tu és muito luminosa. Acredita e conseguirás ultrapassar esta fase!
Beijos
gosto muito de ti...
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