28 maio 2009


No meio do rebuliço do dia a dia acabamos sempre por não ter muito tempo para aquilo que importa realmente - nós mesmos! Estamos preocupados para dar o nosso tempo a quem gostamos, estamos preocupados em dar o nosso tempo ao trabalho, estamos preocupados em dar o nosso tempo à comida, aos transportes, à casa, à televisão, aos jogos de computador, aos livros... mas acabamos sempre por nos negligenciar. Por um lado é bom, é da maneira que escusamos de enfrentar os nossos monstros e se simplesmente nos embrunharmos em muitas coisas, nem sequer nos lembramos do que nos está a arreliar e a remoer por dentro. Não temos tempo porque também não nos queremos lembrar. Não temos tempo porque não queremos encarar os factos - a realidade - e o pior de tudo, encarar as nossas emoções, e compreender porque estamos a sofrer. Enchemo-nos de ideais e de esteriótipos, temos de fazer isto porque isto tem de ser assim feito! Toda a gente o faz! Temos de casar, ter filhos, trabalhar, ter um carro, ir às compras no sábado, limpar a casa à sexta feira, passar a ferro ao domingo, arrumar a cama todos os dias... Estas tarefas tornam-se menos "porque têm de ser feitas" para "porque sim! Porque assim és um bom menino" ou "porque assim és igual aos outros e és mais facilmente aceite por eles". Ai, como eu desprezo estas regras... Sempre fui uma outlier, uma anti-social, já não os suporto aturar a fingir que vivem as suas vidas todos contentes - ir ao ginásio todos os dias porque todos vão e porque faz muito bem à saúde, comprar casa, gastar o dinheiro em viagens... E não são capazes de pensar de uma outra forma. Estamos de tal maneira afixionados nesses ideais que nem reparamos no que nos rodeia! Mas viaja-se para colmatar a falta de cor que a nossa vida tem! Mas também não sabemos apreciar a cor de todos os dias, aquelas que realmente importam. Não sabemos ver, porque estamos de olhos fechados. Não reparamos no milagre do nascer do sol todos os dias, das cores que ele nos envia. Não reparamos na energia que flui entre nós e a natureza, ou entre nós e as pessoas que gostamos, ou a energia que emanamos quando somos tratados com carinho e respeito... Estamos tão distanciados da natureza numa cidade que "aprendemos" a ser cegos. O problema é que abrir os olhos e encarar a realidade custa. Passamos a estar mais distanciados das outras pessoas, passamos a ver a beleza mas também passamos a estar conscientes da escuridão. Mas se formos uma lanterna que vai iluminando o caminho aos outros, para eles aprenderem também a ver esse caminho, o nosso caminho será mais doce.

1 comentário:

Luís disse...

Nós por estamos tão embrenhados na nossa vida que nos esquecemos do mundo. Dou por mim entretido nas minhas próprias desgraças/misérias pessoais que nem reparo que elas nem são assim tão desgraças nem assim tão más. É uma questão de hábito. Vivemos tanto tempo fechados nos nossos cantos que perdemos perspectiva. Perdemos a cor da nossa vida. A minha pior miséria é viver fechado num cubículo o dia todo. Raramente vejo o sol durante o trabalho e quando o vejo ele encandeia-me porque estou habituado à minha escuridão. Viver a vida custa, porque todos sonhamos muito com algo que queremos e não saboreamos o momento. É como ir ao japonês festejar a crinaça que há em nós. Tem alguma propósito num objectivo final? Nem por isso, só o de sermos felizes.